"Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas, mas nenhuma delas é cubana." FIDEL CASTRO

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

JORNAL NACIONAL 40 ANOS: cada um conta o que quer contar

Por Diogo Moyses*, no Terra Magazine


William Bonner e Fátima Bernardes fizeram questão de nos lembrar das tantas glórias conquistadas pelo JN e pelo jornalismo da emissora.
Matérias intermináveis — intermináveis mesmo, de quase 15 minutos — exaltaram os feitos do telejornal.
Os mais antigos repórteres (os que certamente melhor cumprem ordens do patrão) foram chamados à bancada e, ao vivo, recordaram as coberturas dos fatos que marcaram a história recente do país.

Telespectadores desavisados, desconhecedores de episódios importantes da vida nacional, talvez até tenham ficado com lágrimas nos olhos.

É fato incontestável que o Jornal Nacional consolidou-se desde a década de 1970 (estreou em 1969) como símbolo do poder das Organizações Globo.
Com uma estrutura quatro, cinco ou seis vezes maior do que os telejornais de suas concorrentes, ainda hoje bota medo na maioria dos políticos, que temem ser alvos de abordagens, digamos, pouco simpáticas.

Quando as menções são positivas, aí é só festa.

Dá até pra pensar em vôos mais altos. Símbolo maior desse poder é o fato de seu lobista-chefe ser chamado de "senador" nos corredores do Congresso Nacional. Sem nunca ter sido candidato nem eleito para cargo algum, desfruta de poderes que nenhum parlamentar possui.

O JN tem todo o direito de comemorar o que bem entender.

Aliás, a Globo é perita em se autopromover.

Já fez isso em diversas ocasiões e continua a fazer com competência, posando de defensora da cultura nacional e da liberdade de expressão, além da já manjada face "solidária" que os Crianças Esperanças da vida buscam construir.

O perigo iminente disso tudo é que, em um país pouco conhecedor da biografia de seus meios de comunicação, corre-se o risco de reescrever a história.

O temor não se faz em vão: como historiadores cansam de afirmar, a memória coletiva muitas vezes é fruto do legado dos mais fortes.

Mas voltemos ao nosso tema. Como era previsível, o JN tratou de lembrar das tantas ocasiões nas quais noticiou fatos da vida política, econômica, cultural e esportiva do país.

Esqueceu-se, no entanto — e ao acaso isso não pode ser creditado —, de recordar os momentos em que o telejornal global foi ele mesmo sujeito da história.

Ficou de fora da retrospectiva, por exemplo, que o surgimento e fortalecimento da TV Globo deu-se a partir de um acordo ilegal com o grupo estrangeiro Time-Life, que foi inclusive objeto de CPI no Congresso Nacional.

Esqueceram de dizer que a emissora foi criada e se fortaleceu com o apoio decisivo dos sucessivos governos militares. E que seu jornalismo, em especial o JN, ignorou solenemente as torturas, os desaparecimentos e as mortes dos que lutavam contra a ditadura, como se não tivessem acontecido.

O resgate histórico deixou de lado a tentativa de ignorar o movimento pelas eleições diretas nos primeiros anos da década de 1980, assim como a participação da emissora na tentativa malsucedida de fraude nas eleições para o governo do Rio de Janeiro, com o objetivo de evitar a posse de Leonel Brizola.

A memória seletiva igualmente deu conta de apagar a participação decisiva do JN na eleição de Fernando Collor em 1989, quando a emissora editou de forma canalha o último debate entre Collor e Lula, além de utilizar contra o candidato petista as acusações lunáticas de sua ex-mulher e o sequestro do empresário Abílio Diniz.

Nos anos seguintes, de forma nem um pouco sutil, foi linha de frente na consolidação da idéia — hoje comprovadamente furada — de que o neoliberalismo e a privatização de empresas estatais eram o único caminho a seguir, impulsionando a eleição e reeleição de FHC à Presidência.

Há ainda uma série infindável de episódios mais recentes que poderiam ser acrescentados à lista, como a cobertura favorável ao tucano Alckmin nas últimas eleições presidenciais. Ao contrário de outras tentativas, a tática não deu certo, graças à multiplicação das fontes de informação e, quem sabe, ao aumento da consciência política das classes menos favorecidas.

Fato é que, ao longo de toda a sua história, a Globo consolidou-se como os olhos e ouvidos da atrasada elite brasileira, cerrando fileiras contra movimentos sociais e quaisquer políticas distributivas.
Em Brasília, seu "senador" é sempre recebido com afagos.
Tapetes vermelhos se estendem aos seus pés. E assim, políticas que visam democratizar as comunicações do país são enterradas antes mesmo de nascerem.

É normal, compreensível até, que o JN tente recontar a sua própria história. O que não pode acontecer é que a história não contada por ele seja esquecida por nós.

* Diogo Moyses é jornalista, radialista, membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação e autor de A CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA DAS TELECOMUNICAÇÕES E O DIREITO DO CONSUMIDOR

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

NEM ESQUERDA E NEM DIREITA – SOU BRASILEIRO NACIONAL

Não se pode negar que todo estado que quer ser grande tem que ser nacionalista sem ser isolacionista.
O nacionalismo não está ultrapassado e, nem ao menos é sinônimo de comportamento retrógrado.

O que não podemos permitir é que eles "privatizem" o lucro das estatais brasileiras e vendam a preço de banana o que é patrimônio de todo o POVO BRASILEIRO e não de uns poucos remanescentes da burguesia decadente.

Educação não é gasto, mas investimento altamente rentável, o substancial número de instituição/vagas nas Universidades Federais e a interiorização, o Prouni, o aumento das Escolas Técnicas Federais, a duplicação do número de docentes, tudo isto é parte da grande revolução cultural que tão tardiamente se instala no país.

Estado pequeno é pulha do falido pensamento neoliberal.

Eles, os neoliberais, só querem desestabilizar, dividir, confundir.

Até as forças de segurança são fragmentadas, tanto as Civis quanto as Militares, nos treês níveis: Federal, Estadual e Municipal.
Não é à toa que a “bala perdida” mata tanta gente!
Despreparo, corporativismo e, como conseqüência a impunidade.

Milhares de bêbados continuam a atropelar, matar, pagar fiança e, responder em liberdade por homicídio culposo sendo condenados a cestas básica e “trabalhos comunitários”.
Tantos códigos para reformarem e os “trombadinhas do poder” continuam agindo como punguistas...
Por que um candidato aprovado em concurso, só pode assumir se tiver FICHA LIMPA, e o mesmo não se aplica a todos os políticos?
Onde estão os nossos legisladores que deveriam legislar para os interesses do povo?

A privatização das telecomunicações e suas bandas foi, a pretexto de não existir competência e nem “recursos” para gerir, um crime de lesa pátria.
Leiam um artigo de 1998 “A ANATOMIA DE UM CRIME DE LESA PÁTRIA” no link:
http://www.direito.ufrgs.br/pessoais/sergioborja/priva.htm

Esses coronéis e seus capangas não desistem nunca!

Agora com as reserva (só iniciais) do pré-sal, falam das dificuldades da extração, mas não disseram, ou seja, esconderam que a Petrobrás tem a tecnologia e, pra variar, falaram até da temperatura do óleo, da pressão que os tubos sofrerão por estarem sob a água, aquelas coisas que aprendemos no ensino fundamental quando estudamos física. (Gersier Lima)

O importante agora é garantir a propriedade, a soberania e a garantia de que estes recursos serão utilizados para todo o POVO BRASILEIRO.

Todo o resto vem depois, bem depois.

A captação de recursos não é problema quando se tem garantias reais.
O ouro negro vale muito mais do que as “verdinhas sem lastro”.

Se os galeguinhos não quiserem aceitar o nosso jogo, os amarelos com certeza resgatam os seus títulos do tesouro estadunidenses e investem aqui!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O ESQUEMA DE PIRÂMIDE ESTADUNINDENSE

Na década de sessenta me lembro do título de um bang-bang: O DÓLAR FURADO.
Como eram simples os problemas, e o mocinho sempre vencia.

Há muito é encenado um filme que deveria ter o seguinte título: O DÓLAR SEM LASTRO.

Tal como num esquema de pirâmide, os estadunidenses imprimiram e distribuíram no mundo mais de US$ 1.000.000.000.000.000,00 (um quatrilhão de dólares!), em troca de bens, serviços e governos.

Tudo sem lastro. Só promessa de liquidez, lucratividade e segurança.

- Como segurar uma farsa por tanto tempo, sem quebrar a corrente, um esquema de pirâmide, ou tecnicamente falando UM ESQUEMA DE PONZI???

Resposta:
Com a força.
Com a força da grana comprando mercenários e entreguistas, e também com a força das armas(mais de 700 bases), que se somam para assassinar os contestadores e patriotas, tudo em nome da DEMOCRACIA e da LIVRE INICIATIVA.

Quando será que o mundo vai de dar conta, que tal como no filme “O SHOW DE TRUMAN - O SHOW DA VIDA”, nós somos todos protagonistas do filme: O DÓLAR SEM LASTRO!

De Gaulle no início da década de setenta denunciou e calou, ou compraram...
Nos dias de hoje os europeus já criaram o EURO, na esperança de diminuir os prejuízos quando a casa cair.
O dólar já não é o padrão para a bolsa de petróleo.

Assistimos em 2007, 2008 e agora em 2009, os estertores do esquema de pirâmide estadunindense.

De novo com a força da grana e a força das armas eles contornaram, ou melhor, adiaram o GRANDE CRACK IANQUE...

Logo chego a conclusão de que as razões de termos políticos corruptos, impunidade e inversão de valores, são os atos desse povinho do norte.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

ISTO É CIDADANIA ATIVA

DOIS ADVOGADOS GAÚCHOS CONTRA DOIS SENADORES E 3.883 SERVIDORES DO SENADO FEDERAL (07.04.09)

Os advogados gaúchos Irani Mariani e Marco Pollo Giordani ajuizaram, na Justiça Federal, uma ação que pretende discutir as horas extras pagas e não trabalhadas, no Senado, e outras irregularidades que estão sendo cometidas naquela Casa.

A ação tramita na 5a. Vara da Justiça Federal de Porto Alegre e tem como réus a União, os senadores Garibaldi Alves e Efraim Morais e "todos os 3.883 funcionários do Senado Federal, cuja nominata, para serem citados, posteriormente, deverá ser fornecida pelo atual presidente do Senado Federal, senador José Sarney".

O ponto nuclear da ação é que durante o recesso de janeiro deste ano, em que nenhum senador esteve em Brasília, 3,8 mil servidores do Senado, sem exceção, receberam, juntos, R$ 6,2 milhões em horas extras não trabalhadas - segundo a petição inicial.

Os senadores Garibaldi e Efraim são, respectivamente, o ex-presidente e o ex-secretário da Mesa do Senado. Foram eles que autorizaram o pagamento das horas extras por serviços não prestados.

A ação popular também busca "a revisão mensal do valor que cada senador está custando: R$ 16.500,00 (13º, 14º e 15º salários); mais R$ 15.000,00 (verba de gabinete isenta de impostos); mais R$ 3.800,00 de auxílio moradia; mais R$ 8.500,00 de cotas para materiais gráficos; mais R$ 500,00 para telefonia fixa residencial, mais onze assessores parlamentares (ASPONES) com salários a partir de R$ 6.800,00; mais 25 litros/DIA de combustível, com carro e motorista; mais cota de cinco a sete passagens aéreas, ida e volta, para visitar a 'base eleitoral'; mais restituição integral de despesas médicas para si e todos os seus dependentes, sem limite de valor; mais cota de R$ 25.000,00 ao ano para tratamentos odontológicos e psicológicos" .

Esse conjunto de gastos está - segundo os advogados Mariani e Giordani - "impondo ao erário uma despesa anual em todo o Senado, de:
- R$ 406.400.000, 00; ou
- R$ 5.017.280,00 para cada senador.

Tais abusos acarretam uma despesa paga pelo suado dinheiro do contribuinte em média de:
- R$ 418.000,00 por mês, como custo de cada senador da República".

Mariani disse ao 'Espaço Vital' que, "como a ação popular também tem motivação pedagógica, estamos trabalhando na divulgação do inteiro teor da petição inicial, para que a população saiba que existem meios legais para se combater a corrupção".
Cópia da peça está sendo disponibilizada por este site.


A causa será conduzida pela juíza Vânia Hack de Almeida.
(Proc. nº 2009.71.00.009197- 9)

AÇÃO POPULAR Nº 2009.71.00.009197- 9 (RS)
Data de autuação: 31/03/2009

Juiz: Vania Hack de Almeida
Órgão Julgador: JUÍZO FED. DA 05A VF DE PORTO ALEGRE
Órgão Atual: 05a VF DE PORTO ALEGRE

Localizador: GAB03B
Situação: MOVIMENTO-AGUARDA DESPACHO
Valor da causa: R$6.200.000, 00

Assuntos:
1. Adicional de horas extras
2. Horas Extras

AUTOR:
IRANI MARIANI
Advogado: IRANI MARIANI

AUTOR: MARCO POLLO GIORDANI
Advogado: IRANI MARIANI

RÉUS:
1 - UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO
2 - GARIBALDI ALVES FILHO
3 - EFRAIM DE ARAUJO MORAIS
4 - FUNCIONARIOS DO SENADO FEDERAL


VAMOS REPASSAR A TODOS, PARA QUE O BRASIL INTEIRO FIQUE ATENTO E ACOMPANHE ESTA INICIATIVA. SE DEPENDER DA "GRANDE MÍDIA", NINGUÉM FICARÁ SABENDO DE NADA. MORALIZAR O LEGISLATIVO É UMA TAREFA HERCÚLEA, PELA QUAL TODOS DEVEMOS DAR O MELHOR DE NÓS MESMOS.

ISSO É SER PATRIOTA !!!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A TELEVISÃO FORMANDO ALIENADOS

Vivemos dias de incrível manipulação e desvirtuação da verdade, com a formação intencional e estratégica de desinformados.

Enquanto o mundo real vai de mal a pior no Brasil, na América Latina em especial e no mundo, as emissoras de televisão que ganharam concessões do estado para informar, educar e divertir, prezam e priorizam justamente o contrário.

Quando deveríamos estar discutindo a política e os políticos brasileiros, somos bombardeados com “realities shows” que ensina a preocupação com tudo que é fútil e a votarmos nos destinos do mundo irreal.

Enquanto os estadunidenses “compram” uma cabeça de ponte na Colômbia com vistas a invadirem a Amazônia sul-americana a pretexto de combaterem o narcotráfico e os guerrilheiros das FARC, tudo com o providencial apoio do SIVAM que o farol de Alexandria (FHC), em detrimento da tecnologia nacional, comprou deles e financiou para eles com o nosso dinheiro, a televisão nos enche o saco com a morte de um Michael Jackson e um vírus de laboratório chamado de Influenza A (H1N1), que eles fabricaram e estão vendendo o antídoto...

Quando também a pretexto de caçar terroristas, os yankees assassinam civis inocentes no Afeganistão com suas “bombas inteligentes”, o que a televisão nos informa?

Foi a mesma coisa na recente “guerra do Iraque”, quando com a desculpa de localizar armas químicas e de destruição em massa as forças de coalizão assassinaram centenas de milhares de civis inocentes.

A tudo isto adicione as programações de rádio e televisão que descaradamente vendem milagres e promessas de salvação na vida post mortem, em troca de dinheiro para financiar a obra de Deus na terra.

Não merecemos e nem queremos esse tipo de mídia.

sábado, 8 de agosto de 2009

REPASSANDO UTILIDADE PÚBLICA

CHÁ DE ERVA DOCE PARA O VÍRUS H1N1

Prof. Aires Ortiz Carvalho

Remédio contra Influenza A (H1N1)

O anis estrelado, amplamente cultivado na China, é o extrato-base (75%), da produção do comprimido Tamiflu, da Roche (empresa do antigo Secretário de Defesa dos EUA Donald Runsfield).

Mas, como é um pouco difícil encontrar o anis estrelado aqui no Brasil, podemos usar o nosso anis mesmo – a erva-doce – pois esta erva possui as mesmas substâncias, ou seja, o mesmo princípio ativo do anis estrelado, e age como anti-inflamatória, sedativa da tosse, expectorante, digestiva, contra asma, diarréia, gases, cólicas, cãibras, náuseas, doenças da bexiga, gastrointestinais, etc...

Seu efeito é rápido no organismo e baixa um pouco a pressão, devendo ser feito o chá c/apenas uma colher de café das sementes para cada 200ml de água, administrado uma a duas vezes ao dia, de preferência após uma refeição em que se tenha ingerido sal.

Se você está lendo, ajude a divulgar o uso da erva-doce como preventivo do H1N1, ou mesmo como remédio a ser tomado imediatamente após os 1ºs sintomas de gripe, pois seu princípio ativo poderá bloquear a reprodução do vírus e mesmo evitar seu maior contágio.

Porém, pouco ou nada adiantará utilizar a erva-doce após 36 horas do possível contágio pelo H1N1, pois a erva não terá mais força substancial p/bloquear a propagação do vírus no sistema respiratório.

Efeitos colaterais: pequena sonolência nas 2 primeiras horas - evitar dirigir e/ou operar máquinas.

Obs:
- O uso da erva-doce é alternativo e poderá ser até eficaz, mas não substitui a assistência médica necessária;

- Donald Runsfield compra 90% da produção mundial do anis estrelado da China, desde 1997, quando surgiram os primeiros casos de gripe aviária H5N1 (uma das variáveis do H1N1)... seria por acaso?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

UMA VEZ GENERAL GOLPISTA, SEMPRE GENERAL GOLPISTA

Laerte Braga

Os cinco principais generais das forças armadas de Honduras resolveram dar explicações de público num programa de tevê hondurenho sobre a participação dos militares no golpe que depôs o presidente constitucional do país Manuel Zelaya.

Script montado, papéis definidos, o programa tinha o objetivo de exibir a "face democrática" dos militares golpistas e mostrar ao povo que não tinham nada a ver com nada, foram apenas "patriotas" em cumprimento à constituição e a lei.

Não houve dificuldades em decorar esse script, é antigo, mudam uma ou outra palavra, mas não conseguem escapar do lugar comum. O tal do "patriotismo" e a preocupação em aparecer como homens de origens humildes, mas capazes de "salvar a pátria".

Se fosse para enumerar aqui os inúmeros de golpes de estado dados por militares na América Latina ficaríamos uma eternidade. Imagine se fosse para relatar cada golpe, cada momento "patriótico" desse na Bolívia, por exemplo. Era comum um general dar um golpe às seis da manhã, ser golpeado ao meio dia por outro, até que as seis da tarde um terceiro viesse com suas tropas para promover o bem geral e caísse à meia noite para um tipo general lobisomem governar até o que iria golpear às seis da manhã e assim sucessivamente.

A grande preocupação dos militares hondurenhos foi a de tentar desvincular-se das elites do país. Buscar apagar a imagem que são cúmplices ou parceiros, sócios dessas elites nos "negócios". Mas a maior dificuldade foi querer mostrar que não são paus mandados de Washington e obedecem diretamente ao embaixador dos EUA em Tegucigalpa.

Em 1964 no Brasil a coisa funcionou exatamente assim. Os norte-americanos começaram a abrir as portas para o golpe com um programa chamado Aliança para o Progresso. Chegava aqui um monte de coisas com outro monte de agentes da CIA. Doações para o bem do Brasil. Em 1962 derramaram dinheiro nas eleições através de um instituto que chamaram de IBAD - INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA -. Em 1963 designaram um comandante para as forças armadas brasileiras, o general Vernon Walthers que havia sido comandante de Castello Branco na IIª Grande Guerra e falava português fluentemente e o embaixador Lincoln Gordon para ajustar os esquemas financeiros, comprar deputados e senadores, etc.

Em 1964 promoveram todo o processo golpista, uma peça montada e dirigida por Washington, em nome da democracia. Marcharam pelo país montados na fé de um povo iludido por usurpadores dessa fé - fé é uma questão de foro íntimo, mas espertalhões da fé não - e falo do padre Patrick Payton. O cardeal de Honduras, dono de grandes extensões de terra e outros "negócios" apóia o golpe em nome de Deus.

Reforma agrária, melhores condições para os trabalhadores da cidade, projetos habitacionais, democratização da comunicação, saúde, universidades públicas, esse esquema não interessava aos donos do país, patrões dos militares e principais acionistas das nossas elites, o esquema FIESP/DASLU.

Um pequeno exemplo da vocação democrática dessas elites. O governador de São Paulo era Ademar de Barros. Pilantra sem qualquer escrúpulo. Ademar decidia abrir uma estrada digamos ligando o ponto A ao ponto B, uma cidade a outra. Aí, em parceria com as empreiteiras compravam as terras às margens da futura rodovia a preço de banana e depois ficavam senhores de grandes extensões de terra supervalorizadas pela estrada.

Nos tempos de John Wayne era a mesma coisa quando as ferrovias iam chegando ao Oeste e levando progresso.

Jango decidiu no dia 13 de março de 1964 que as terras às margens de rodovias, ferrovias, rios, lagos e açudes seriam desapropriadas na extensão de oito quilômetros para fins de reforma agrária. Aquele monte de terra que quando a gente viaja não vê nada aproveitado, digamos assim. Aí, Ademar de Barros, o banqueiro/trambiqueiro Magalhães Pinto, o alucinado Carlos Lacerda treparam nas tamancas e dispararam que "a democracia e as liberdades individuais estão ameaçadas, o povo brasileiro está debaixo da ameaça do comunismo internacional".

Junte-se a isso a estatização do petróleo em todos os níveis (Lula está leiloando o pré-sal), dos serviços de energia elétrica e telefonia e medidas que contrariavam laboratórios internacionais como a compra de ácidoacetilsalicílico da China e não da Bayer - uma das financiadoras do golpe -. O da Bayer custava o triplo do preço, está no livro "O governo João Goulart" do professor Moniz Bandeira, mas a Bayer era legitima representante da democracia. Você tem que tomar a aspirina da Bayer mesmo que ela seja mais cara e lógico, para os caras lá de cima, os "patriotas", tinha um extra que vinha custo para a turma cá embaixo.

Pronto. Derrubaram o presidente, tomaram o poder, suprimiram as liberdades e começaram o processo de venda e entrega do país, completado bem mais tarde por FHC, uma espécie de cabo Anselmo com patente mais alta, afinal foi presidente da República.

Prenderam opositores, cassaram, torturaram, seqüestraram, mataram, estupraram mulheres militantes e de famílias de opositores, tudo em nome da pátria. Censuraram a imprensa, sempre pela democracia.

Falavam em Brasil grande enquanto íamos ficando cada vez menor.

Em Honduras os generais golpistas não variaram no script. Segundo eles, cinco, as forças armadas cumpriram a lei, não são responsáveis pela determinação de depor o presidente Zelaya (não explicaram que a lei mandava se quisessem de fato tirá-lo por "ilegalidades" seguir o caminho de um processo natural de impedimento, foi na marra), lamentam que tenham tido que matar alguns opositores, mas a culpa foi deles por não aceitar essa "lei", essa vocação "patriótica", até aí tudo como manda o figurino golpista, até que...

No filme Doutor Fantástico de Stanley Kubrick, entre muitos personagens que mostram a boçalidade de militares de extrema direita - a maioria - nos EUA, há um cientista alemão que foi cooptado ao final da IIª Grande Guerra. No ápice do filme, o tal cientista aparece numa cadeira de rodas como conselheiro do presidente norte-americano e surge segurando com a mão esquerda a mão direita. Quando se distrai e se empolga na destruição da União Soviética, solta a esquerda a direita automaticamente levanta-se e proclama "herr Hitler".

Os generais de Honduras vieram gravando as cenas da farsa até o momento que a mão direita escapou. Foi quando disseram que Zelaya estava levando o país para o "comunismo" representado por Hugo Chávez, "disfarçado de socialismo," afastando-se da democracia.

Democracia para eles é Washington e a grana que chega por fora no final do mês. São generais golpistas, em qualquer lugar, em todos os tempos, aqui, lá, no Chile e, lógico, venais e corruptos.

Segundo o jornal NEW YORK TIMES, norte-americano a fala final foi assim:

"Como se seguisse um manual da Guerra Fria, o general Miguel Ángel García Padget disse que as forças armadas impediram os planos de Chávez de espalhar o socialismo pela região. "A América Central não era o objetivo desse comunismo disfarçado de democracia", ele disse. "Este socialismo, comunismo, chavismo, chame como quiser, visa o coração dos Estados Unidos."

"... Visa o coração dos Estados Unidos". É a pátria verdadeira desse general golpista e corrupto, traidor. Não conseguiu segurar e teve que dedicar essa ode aos patrões, quem sabe na esperança de ganhar um extra.

Não são patriotas, são canalhas como afirma Samuel Johnson ao definir patriotismo como "último refúgio dos canalhas". O povo de Honduras? Dane-se o povo, vão continuar matando se necessário for para os dólares abençoados do capitalismo.

E contando com a mídia, pronta a receber também propagandas extras. GLOBO, VEJA, as rádios que Chávez fechou por falarem mentiras e distribuiu concessões entre as comunidades para se fazerem ouvir.

No meio disso tudo Barak Obama. Um refinado ventríloquo dos verdadeiros donos da Casa Branca e do presidente dos EUA. Um garçom numa espécie de pub inglês nos EUA. A Casa Branca.

O resultado do "patriotismo" dos generais que defendem o "coração dos Estados Unidos"

Segundo Roberto Michelletti, presidente de fancaria golpista de Honduras, Obama é "el negrito no conoce donde se queda Tegucigalpa". O que Obama fez até hoje foi perguntar a marca de cerveja que Michelletti, ligado ao tráfico de drogas, prefere. E se o filé é ao ponto ou mal passado. A cozinheira é Hilary Clinton, que também serve de primeira dançarina desse can can democrático.